Mais uma pérola do Centro Histórico de Salvador está de cara nova, mas sem perder o caráter cultural e comercial situado no coração da Baixa dos Sapateiros desde 1965. Depois do incêndio sofrido em 2017 e reconstrução de toda a estrutura realizada pela Prefeitura, o Mercado de São Miguel está de volta ao público mais bonito, moderno e com todos os protocolos de segurança sanitária, a partir desta quinta-feira (05).
Transformação – Com projeto desenvolvido pela FMLF e execução pela Seinfra, através da Superintendência de Obras Públicas (Sucop), o novo Mercado São Miguel tem uma área de 4.460 m², sendo 1.671 m² de espaço construído. O investimento total é de R$5,1 milhões e o projeto teve como objetivo conservear a tradição do centro de compras, levando em consideração as necessidades arquitetônicas atuais, como elementos de acessibilidade e paisagismo.
“A ideia é manter a tradição do Mercado São Miguel, com muitos de seus permissionários e sua história, mas também agregar a modernidade, através de um belíssimo projeto arquitetônico e a oferta de novos serviços para a população. Esperamos que moradores de toda a cidade, bem como os turistas conheçam o novo local. Com certeza, teremos mais um espaço cultural digno do nosso povo e da beleza de Salvador”, destaca o secretário Marcus Passos.
Agradecimento – Um dos mais antigos permissionários do Mercado São Miguel, Derivaldo de Santana, mais conhecido como seu Deco, de 82 anos, era só felicidade com a nova estrutura. Ele contou que chegou ao mercado com a mãe e nove irmãos, trabalhando com venda de comidas, ainda na década de 1960, e acompanhou todo o processo de auge, degradação e luta pela preservação do espaço. “Essa reforma é um presente de Deus. Para o que nós já vivemos aqui, no meio do lixo, das doenças, de muita coisa indesejável, hoje podemos dizer que estamos no céu. É um orgulho para toda a comunidade. Muita gente não acreditava, mas recebemos essa promessa que agora está sendo cumprida. É uma maravilha!”, exclamou emocionado.
Outro que também aprovou a intervenção foi o comerciante e capoeirista José Alves, o Zé do Lenço, figura presente no São Miguel desde a década de 1970. Ele lembrou que o local sempre foi um ponto significativo para a população, principalmente dos bairros Saúde, Nazaré e Pelourinho. “No entanto, chegou a um ponto que ficou em ruínas. Havia uma grande feira livre que se acabou, mas eu sempre permaneci aqui. Pintava o chão sujo e era querido por muitos gringos, que se encantavam com uma capoeira no meio do mercado. Aí chegou essa nova gestão e fez esse mercado novo, o único com espaço próprio para a capoeira, o maculelê e demais manifestações. Só temos a agradecer e, claro, zelar pelo patrimônio para não voltar a ficar degradado”, destacou.
História – Inaugurado em 1965, o Mercado São Miguel é um símbolo do comércio da Baixa dos Sapateiros, tendo seu auge entre os anos de 1970 e 1980. A diversidade dos produtos vendidos no local chamava a atenção do público: carnes, peixe e frutos do mar, galinha caipira viva, ingredientes da culinária baiana e até ouro para fazer joias. Por lá circulavam pessoas de diversas classes sociais e personalidades famosas, como os sambistas Batatinha, Riachão e Bezerra da Silva, e os escritores Jorge Amado e Jeová de Carvalho. A capoeira surgiu bem no meio da feira, o que garantia uma atração a mais para clientes e visitantes. Em meados dos anos de 1990, teve início o processo de degradação do equipamento. Em 2017, um incêndio tornou o local sem condições de funcionamento. Com isso, em março de 2019, foi iniciada a reconstrução do Mercado São Miguel pela Prefeitura.